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No mês dedicado às mulheres: Uma homenagem à escritora Lilian Rocha

“...Trago o meu posicionamento no mundo como mulher negra, do lugar onde eu falo e me reconheço e me identifico, percebendo todos os entraves que isso poderá me causar, mas ao mesmo tempo é a minha identidade, é o que me fez chegar aonde estou e sou grata por carregar essa história que me fortalece e me honra. Trazer à luz histórias que foram sempre e até hoje são invisibilizadas ou menosprezadas. O lugar de saber (literatura) nunca foi disponibilizado para as mulheres, quanto mais negras. Algumas pessoas se assustam com uma mulher com tanto poder, digo o poder de erguer a voz, de escrever os seus posicionamentos e o direito de criar, sendo Criador= Criatura”.



Ela começou a escrever muito cedo, assim que se alfabetizou. Gostava de escrever pequenos poemas e contos. Escrevia nos cadernos e agendas e depois passava a limpo na máquina de escrever Olivetti do seu pai. Lilian Rose Marques da Rocha, desde pequena, via os seus pais lendo e recebia deles livros infantis. Autora de três livros – “A Vida Pulsa: Poesias e Reflexões” (Alternativa, 2013), “Negra Soul” (Alternativa, 2016) e “Menina de Tranças” (Taverna, 2018); coorganizadora do Sopapo Poético: Pretessência (Libretos, 2016) e participadora de 32 antologias poéticas brasileiras e portuguesas, Lilian é a nossa homenageada no mês que celebra as lutas femininas, representando uma série de mulheres, entre escritoras, artistas e ativistas, que passam pela nossa casa e fazem toda diferença na caminhada diária rumo a igualdade de direitos.



Mulher, negra, natural de Porto Alegre, além de escritora, Lilian, de 53 anos, é farmacêutica, analista clínica, especialista em homeopatia, musicista, facilitadora didata de biodanza e educadora biocêntrica. Sua produção literária é construída em cima de temas variados do cotidiano – “Escrevo sobre tudo que enxergo, o que sinto e imagino. Com um olhar cada vez mais voltado para questões de raça, gênero e políticas. Assuntos que envolvem o pertencimento, o protagonismo negro, o feminismo, o antirracismo e o antipreconceito são cada vez mais presentes nos textos que escrevo”, salientou. A respeito de sua obra, Lilian ressalta ainda que sua condição de mulher negra impacta diretamente seus textos – “Meu posicionamento no mundo como mulher negra é o que me fez chegar aonde estou e sou grata por carregar essa história que me fortalece e me honra”.



A música é uma arte que sempre esteve presente nas andanças da escritora, que também é musicista. Sua relação com a black music, o samba, a mpb, além da música clássica (uma adoração), a ópera e a world music fazem parte de sua trajetória e construção como artista. O Sarau Sopapo Poético, um encontro que celebra o protagonismo negro em uma roda de atuações, reflexões e de convivências afrocentradas, realizado pela ANdC (Associação Negra de Cultura) desde 2012, também é um marco importante na carreira literária de Lilian – “Lá encontrei os meus iguais, ou como falaria o poeta Oliveira Silveira, “encontrei minhas origens”.



Das suas principais referências, ela fala de Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Cruz e Souza, Lima Barreto, Cuti Silva, Oliveira Silveira, Cristiane Sobral, Sérgio Vaz, Cidinha da Silva, Djamila Ribeiro, Teresa Cárdenas, Lélia Gonzalez, Paulo Freire, Maturana e Varela, Rolando Toro – “Quando descobri estes autores, o mundo deu um giro de 360º graus”. No começo das aventuranças como escritora, ela conta ainda que leu o cânone (conjunto de textos ou obras reconhecidos como autoridade), sendo um meio importante para calcificar sua base literária e que os griots (antigos contadores de história) também foram e seguem sendo grande fonte de inspiração.



A luta por reconhecimento é uma constante


Sendo também para todos nós, uma grande referência, é importante entender como Lilian vê hoje em dia a condição da mulher negra escritora num país que, justamente (ou injustamente) tem, segundo dados de pesquisa, a maioria de suas obras escritas por homens brancos. A escritora salienta que “vivemos um momento de holofotes para a literatura feita por mulheres negras” e que o ideal seria que não fosse um momento passageiro, uma moda, mas sim, fato realmente duradouro. Isso porque todo este movimento é fruto de muitos debates e reinvindicações das escritoras e intelectuais negras em várias feiras literárias, nas universidades e espaços outros de literatura e isso mexeu com todas as estruturas - “Solicitaram respeito e maior visibilidade para essa literatura. Algo importante aconteceu”, destacou. “O mercado editorial continua predominantemente branco e masculino, temos muito a caminhar, mas já melhorou”, completou.



E neste mês em que os olhares se voltam para as causas e lutas femininas – fato que deveria ser permanente – é uma felicidade podermos para falar sobre vida e obra de mulheres tão importantes nesta cena. Falar sobre Lilian Rocha é uma forma de juntarmos nossas forças a estas lutas e abrir mais espaço de visibilidade a toda sua produção. E falando em produção, ela ainda tem um recado especial a todos àqueles que desejam se lançar na carreira literária: “Não desista! O mercado editorial é extremamente competitivo e difícil, mas existem outros meios, como os concursos, prêmios de fomento, antologias, redes sociais, revistas eletrônicas. É sempre importante participar de eventos literários, conhecer escritores, conversar sobre literatura. Viva literatura e as portas começam a se abrir!”




Obrigada, Lilian!


Vida longa! ✨✨

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